As mudanças climáticas que já se sentem em todo o mundo provocaram um efeito tão incomum quanto perigoso no ano de 2005. Uma seca atingiu a Amazônia, que provavelmente está entre os territórios mais úmidos do planeta. Quem lembrou o ocorrido foi o sindicalista rural e ribeirinho de Santarém, no Pará, Manoel Edvaldo. Ele também participou do encontro sobre Justiça Climática no Fórum Social Mundial.
Manoel falou a cerca de duas centenas de pessoas vindas de várias partes do Brasil mas também de diferentes países, como Bolívia, Índia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, México e Holanda. Talvez parte destes, que não vivem a realidade amazônica de tão perto quanto Edvaldo e seus concidadãos, tenham encontrado dificuldade em compreender o fato de que a Amazônia pode chegar a secar. Apesar disso, foi o que ele, amazônida de nascença, lhes contou.
“Em 2005, houve na Amazônia uma grande seca. Quem já viu a quantidade de água que existe na nossa região pode até não acreditar que boa parte ficou seca. As comunidades ficaram impossibilitadas de locomoção. Grande parte das escolas fechou, pois o transporte dos ribeirinhos é por água, e tudo ficou como terra. Nessa seca, milhares de toneladas de peixes morreram, e o peixe é a grande fonte de renda das famílias reibeirinhas. Onze municípios amazônicos decretaram estado de emergência. Isso foi muito cruel”, ele disse.
Entretanto, Edvaldo não se limitou a narrar o caso da seca de 2005. Ele percebe algumas causas bem concretas que relacionam aquela seca com os provocadores da mudança climática global. “Os grandes projetos que estão em nosso país, como a mineração e a expansão da monocultura, afetam diretamente as populações tradicionais, toda essa diversidade de povos que existe na Amazônia. Eu sou de uma região ribeirinha. Aqui na Amazônia, diante das injustiças climáticas, nós somos as principais vítimas. Considerada o pulmão do mundo, a amazônia está sendo destruída de forma desastrosa, porque as florestas que cobrem nossa região, que sustentam as nascentes de nossos rios e igarapés, essas fontes estão sendo destruídas. Mesmo com a luta social na região, nós nos sentimos fragilizados diante do poder econômico presente na região”, afirmou. |