Fausto Oliveira
O Fórum Nacional de Reforma Urbana, entidade nacional de luta pelo Direito à Cidade da qual a Fase é secretaria, está presente no Fórum Social Mundial com a sua Tenda da Reforma Urbana. Ali, num amplo espaço da Universidade Federal Rural da Amazônia, um amplo leque de temas é objeto de discussões e reflexão por centenas de pessoas que participam dos movimentos sociais urbanos. Assim como as demais tendas montadas no FSM em Belém, está sempre lotada e cheia de vida. Regina Ferreira, do programa nacional Direito à Cidade da Fase, falou com a reportagem sobre o sentido de organizar esta tenda no Fórum e manter uma agenda cheia no evento.
Para ela, a temática das desigualdades urbanas e das políticas que podem mitigá-las está vinculada à crise econômica global. E assim, pensa que o Fórum Social Mundial seja o espaço mais apropriado para que surja uma alternativa ao modelo de desenvolvimento que temos hoje. Ela cita o geógrafo e crítico do neoliberalismo David Harvey, que está em Belém participando do Fórum e fez a conferência inaugural da Tenda da Reforma Urbana.
“Na visão do David Harvey, essa crise econômica é uma crise urbana, porque começou com a crise imobiliária norte-americana. Ele traçou a história recente usando o exemplo da cidade de Nova York, onde as populações pobres foram afastadas das zonas centrais, para dar lugar aos investimentos imobiliários do grande capital. Ao mesmo tempo, bancos privados ofereceram a esta mesma população a chance de comprar casas baseando-se em financiamentos de longo prazo. Harvey mostrou como, após anos de neoliberalismo, as populações mais pobres empobreceram mais ainda, e aí então chegamos à sua incapacidade de pagar a dívida. Ele contou a história da crise e fez um desafio ao FSM, dizendo que esta é a hora para para apontarmos uma alternativa”, relatou Regina Ferreira.
Vários requisitos existem para o surgimento das alternativas, sem dúvida. Mas alguns já estão no horizonte, como por exemplo a abertura para maior participação das sociedades na gestão de suas cidades, estados e países. “Discutimos que isso passa por uma reforma política. Tem que se radicalizar a participação da população na gestão e desenvolvimento das políticas”.
As alternativas, segundo ela, devem responder pela construção de novos padrões de vida social, o que evidentemente passa por cidades mais justas, democráticas e sustentáveis. “Essa é a hora de unificarmos um conjunto de lutas em nome de um outro processo de desenvolvimento possível. Isso passa por repensar nossas formas de viver e consumir. Esse modelo atual está falido. Precisamos pensar uma nova forma de organizar a sociedade”, afirma. |